Uma das figuras mais importantes na formação da civilização ocidental foi Hipócrates, natural de Cós, uma ilha grega situada no mar Egeu, que viveu entre 460 a.C. e 377 a.C.
Durante seus longos 83 anos, dedicou-se à prática dos cuidados com a saúde. Fundamentou as bases da Medicina ao sistematizar sintomas e causas com o intuito de formular diagnósticos sobre enfermidades, uma grande transgressão em uma época em que o ofício da cura era responsabilidade dos sacerdotes religiosos.
Hipócrates criou a conhecida teoria dos quatro humores corporais, baseando-se no sangue, fleuma, bílis amarela e bílis negra, cujos desequilíbrios — seja por falta ou excesso — levavam a distúrbios fisiológicos.
Cada um desses humores estava associado a um elemento da natureza (terra, fogo, ar e água), além de condições climáticas (frio, quente, seco e úmido).
O sangue estava ligado ao ar, à umidade e ao calor. A fleuma se relacionava à água, à umidade e ao frio. A bílis amarela se entrelaçava ao fogo, à secura e ao calor. Já a bílis negra tinha a terra, a secura e o frio como acompanhantes.
Um conjunto de tratados reunidos sob o nome de Corpus Hippocraticum foi atribuído a Hipócrates (ainda que essa autoria não tenha sido historicamente comprovada). Esses registros traziam não apenas estudos sobre o corpo humano, mas também divagações filosóficas.